A Filosofia brasileira passa a ter maior lucidez na distinção entre filosofia no Brasil para Filosofia do Brasil.
Distinção esta que não seria necessária nas filosofias francesa, inglesa, grega ou alemã. Para estas culturas, especialmente para suas tradições eurocêntricas, filosofar é sempre, pensar desde seu território, em seus problemas, ainda que estas se julguem expressão de um pensamento universal.
Se mesmo as nomeações nacionais para suas filosofias lá não façam sentido, aqui as usamos como regra, mostrando-nos pedagogicamente a nós mesmos o que cada filosofia produz em sua particularidade a tradição filosófica no Brasil é fazer eventos chamados filosóficos, para bem distinguir estas tradições, comentá-las, bem traduzi-las... e a isso demos o nome durante décadas de filosofia. Enquanto isso, não fazia sentido algum no país falar em Filosofia Brasileira. Assunto risível em alguns meios, aqui no país.
Acontece que uma tradição da Filosofia Latino-americana, pelo menos desde a década de 1960-1970 em muito fruto dos diálogos sul-sul, quais produziram termos como Decolonial, que por línguas modernas chega ao mainstream filosófico brasileiro, nunca parou de produzir filosofia desde seu lugar, pensando seus problemas. E a pauta central, indubitavelmente, em consonância com toda uma tradição filosófica latino-americana, desde o séc. XIX é a questão do colonialismo cultural.
Olhar para a Europa, de costas para a América Latina. Por muitos motivos, alguns complexos, como a questão da diferença na constituição étnica, ainda hoje é um grande problema para nós. Aqueles e aquelas que corajosamente teimam em ampliar seu pensar para além de um olhar trocista, estando sensíveis para as questões que nos interpelam, pro-vocam existencialmente, nunca deixaram de pensar com os pés no chão.