Chegamos à 5ª edição dos nossos Manifestos, desta vez diante do fracasso.
É só abrir a janela, a portinhola, o e-mail, as redes sociais, ir na barbearia da esquina, na padaria, no banco da praça, ligar a tv, e perceber minimamente uma sensação de angústia que se manifesta em todos nós diante do fracasso. Fracasso pessoal, o fracasso do sucesso, do empreendimento, dos planos, cronogramas, metas e de tantos outros parâmetros e métricas da nossa sociedade do tempo é dinheiro. O fracasso do regime, do corpo perfeito, do amor, do plano de parar de fumar, de beber, de ler Guerra e Paz, de ser vegano. O ideal cai, a tensão se eleva, e o círculo vicioso de uma sociedade movida pelo desejo mercadológico sem limite, se impõe.
Assim, se seguirmos a toada do discurso corrente, cairemos na concepção do fracasso como expressão do marasmo e da apatia. O fracasso ao se desdobrar em manifesto, ou melhor, num "Manifesto diante do fracasso", assume o lugar de denúncia, e, portanto, de recusa do status quo. Tal movimento na cadeia de significantes deste discurso do sucesso mortificador do capital, torna o fracasso um lugar de subversão, de uma paixão pelo chiste, de um cunho irônico, e, por isto, de um ato político revolucionário na ordem das significações aprisionantes da ordem burguesa.