Nas páginas que se seguem, neste 2º. livro do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso (CNPq), do Curso de Direito do CESMAC, tivemos a grata satisfação de poder demonstrar a amplitude da teoria que fundamenta todas as análises aqui empreendidas, particularmente no sentido de alcançar outros objetos de estudo na sociedade brasileira. No Capítulo 1, tratamos de uma possível correlação entre as conceituações de Michel Pêcheux, em Semântica e Discurso, e as noções-conceitos de Bakhtin-Volóchinov, em Marxismo e Filosofia da Linguagem. A discussão objetivou demonstrar as aproximações teóricas entre esses filósofos, sem, contudo, defender uma identificação dos conceitos tratados em ambas as obras. O Capítulo 2, da autoria da Prof. Mestra Adilza Rita do Amaral, aborda uma temática incomum nos estudos da AD, posto que toma, como objeto de estudo, duas canções de compositores conhecidos dos brasileiros – Chico Buarque e Ana Carolina. O Artigo promove uma análise das músicas “A Rita” e a “Resposta da Rita”, e, ao fim, nos traz interessantes conclusões.
A seu turno, o Capítulo 3, da autoria das bacharelandas Alajose Caballero e Maria Eduarda Moreira, sob nossa orientação, trata especialmente da mulher e o instituto do casamento, porém sob o Código Civil de 1916, sem deixar, contudo, de assinalar as progressivas conquistas que ela, a mulher, obteve com a Lei do Divórcio e as reformulações que se seguiram. O Capítulo 4 – da autoria de Prof. Mestre André Barros, nos brinda com uma análise robusta e reveladora de sentidos da letra de uma canção popular interpretada por Zeca Pagodinho. O Capítulo 5, sob minha orientação, das bacharelandas Camila Rodrigues e Katiúcia Silva – desenvolve uma reflexão sobre o idoso em nossa sociedade, os processos de exclusão a que estão submetidos, o retorno ao mundo do trabalho e a visível ausência de políticas protetivas do Estado brasileiro nessa fase tão delicada da existência humana.
No Capítulo 6, a Vice-Líder do nosso Grupo de Pesquisa, Profa. Dra. Cristiane Souza, desenvolve temática relativa à “mulher” de negócios, em que enfatiza o percurso do sujeito mulher em relação às determinações ideológicas na luta de classes, quando destaca a contradição como tom predominante de sua trajetória em que se dá a normalização de sentidos e homogeneização de comportamentos. No Capítulo subsequente, o de número 7, trazemos as investigações e análises das professoras mestras Maria Célia do Nascimento e Cláudia Maria Gonzalez, que, juntas, analisam o discurso de Jair Bolsonaro na reunião de líderes mundiais da Organização das Nações Unidas (ONU), momento em que, além de descrever o político em questão, em sua trajetória de reiteradas posições de extrema direita, desvela, com propriedade, os sentidos possíveis daquela discursividade (O discurso na ONU, em 2020). Por fim, as professoras Sônia Soares e Zelinda Pinheiro, respectivamente mestra e doutoranda, nos brindam com um trabalho de pesquisa, e de alcance social, atinente à mediação de conflitos, inserta numa cultura da paz; neste artigo, as professoras desvelam os dizeres próprios contidos nos manuais que tratam dos métodos consensuais de solução de conflitos no âmbito do Judiciário.
Prof. Dr. Antonio Castro do Amaral